segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Se Estas Paredes Falassem...

Se essas paredes falassem...
se contassem cada vez
que me vi de joelhos na escuridão,
com medo de levantar e fitar na penumbra
meus olhos no espelho dizendo que não...
não pode ser verdade...
Mas é tanta maldade
jogar à fogueira o meu coração
por sentir não ter forças pra calar estas bocas
e afastar os dedos de minha direção.
Asas fracas não me deixam voar.
E eu não me lembro de pedir pra você ficar
e arrancar carne de meu peito com tanto ódio...
e gritar pra eu me excluir de teu mundo.
Já não sei mais a quanto tempo
não vejo o sol com meus próprios olhos.
Já não sei mais se é por medo
ou se esqueci como olhar pra fora.
Portas frias me deixam sem ar,
e ninguém me ouve bater pra vir me ajudar.
Eu não quero mais viver com medo ou vergonha
de respirar, de existir ou de beijar teus lábios...
Se estas paredes falassem...
se contassem cada vez
que sonhei viver em outro lugar,
onde Marte ama Marte
e Vênus pode passear de mãos dadas com Vênus
sem se preocupar com o vento covarde
que me deixa até tarde com medo
e sem saber se você vai voltar.
Será que sou eu o errado
por querer estar a teu lado
em jardins onde as flores não envenenam o ar?
(Fabio Altro - DANCE OF DAYS)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Antítese

Foi sem querer
que eu pensei ser
capaz de atravessar
o céu em frases
que soubessem tudo
sobre mim.

Juro,
eu tentei não revolver
os olhos
e curar-me do vício
de querer
bem mais do que posso ver
quando sei
que é muito mais
do que querer ter.

E é tão ruim pensar
que não há nada que eu possa fazer e
nada que me afaste de
ser assim e querer
provar tudo
e ter respostas
a todas as perguntas.

E porque não?
A vida me tem sido
tão complacente
que jamais
me negaria uma vez mais
só pra ter em mãos
e dizer adeus
e eu pensaria uma vez mais
ter o poder de enganar quem me faz casa e alimenta,
me abraça e orienta...

Será que eu nunca vou mudar?

Me parece tão regular
voltar para jantar
todos os dias
mesmo que eu sinta a mesa
se equilibrar entre os postes
nos fios de alta tensão.

E porque não?

É só fingir
que estamos firmes no chão
e nada vai acontecer...
E nada vai deixar de ser
como sempre foi
e eu vou olhar
pra baixo e te ver passar
e dizer uma vez mais:

“Uhuu,
você não gostaria de
subir pra tomar
uma xícara de chá
e falar dessas vidas
tão usuais quanto as nossas ?”

Na teoria funciona...

(Fabio Altro - DANCE OF DAYS)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os funerais do coelho branco


Vocalista do Dance of Days, banda de hardcore de São Paulo, escreveu uma auto biografia em formas de poemas, legal né?. Pois é, eu recomendo. Confira um dos contos abaixo.

Um dos seus poemas vividos:

Quando eu era criança tinha uma mulher velha que jogava um palito de fósforo aceso no café e via o futuro na mancha que fazia quando o palito apagava.
Sempre me levavam lá pra tirar quebrante.
Ficava nessa mesma rua aqui da quitanda.
Acho.
Tipo mais lá pra baixo.
Uma vez eu tomei um fora na escola e chorei em casa.
Minha mãe achou que era quebrante.
A velha jogou o fósforo.
Falou que era amor.
No dia seguinte foi a mesma merda.
Botei a culpa na velha.
Depois com o tempo descobri que o problema era o café.
Porque café não tem nada a ver com amor.
Café desce rasgando e te deixa ligado.
Amor não.
Amor é tipo leite.
Tem prazo de validade curto e azeda muito rápido.
E longa vida tem conservante.
Uma mentira embalada.
Só parece seguro porque está em uma caixinha.
Depois que abre é igual a qualquer outro.
Não sei como chorei por aquela ridícula da escola.
Ela era horrível.
Amor é tipo isso, derivado de leite com embalagem bonita na geladeira do mercado.
Você quer muito, as vezes fica doente de vontade, mas depois que bebe vê que nem foi tudo aquilo.
E sem as embalagens, no fundo, danone, queijo, manteiga... é tudo a mesma merda.
Fica lá em você boiando até sumir.
Teu corpo absorve o bom.
E o ruim vai embora.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Dead Like me

Tudo começou quando Deus deu uma missão a um sapo. Sua missão era cuidar do vaso que prendia a morte.
Uma vez chegou uma rã e pediu para segurar o vaso, o sapo consciente que não podia deixar ninguém pegar o vaso, falou que não. Mas a rã insistiu e usou o charme feminino para conseguir o que queria.
Ela o seduziu e ele cedeu e deixou-a segurar o vaso. Ela deixou o vaso cair e a morte escapou.

George, uma garota loira, baixa que tinha um péssimo relacionamento com os pais, morreu com 18 anos no dia que consegui-o um emprego num escritório, sua morte foi caótica, uma privada em chamas caiu do céu em cima de sua cabeça.
Quando uma pessoa morre seu corpo é enterrado, cremado ou deixado em qualquer lugar. Mas e a alma? a alma continua vagando pela terra, mas com um corpo novo.
Depois que você morre e passa por todo o processo, você é chamado de Morto-vivo. Você tem um trabalho e um chefe. No trabalho dos mortos-vivos a função é buscar as almas que perderam seu corpo, o chefe recebe uma lista com o nome, a hora e o local onde as pessoas devem morrer, e ele entrega um papel com o nome de uma pessoa e você tem que ir buscar a alma desse individuo, se a morte for muito violenta a alma é retirada alguns segundos antes de acontecer.